Depressão é uma síndrome de etiologia multifatorial. Estudos tem indicado que 40% dos casos de depressão estão associados a condição genética e os outros 60% são resultado do estilo de vida não saudável (SULLIVAN et al, 2000). Dentre estes fatores, encontram-se a dieta rica em açúcares refinados e gordura saturada, deficiência de vitamina D, cigarro, obesidade, sedentarismo, distúrbios do sono, traumas e estresse psicossociais crônicos. No que tange a fisiopatologia, os vários fatores ambientais supra citados corroboram para que os pacientes apresentem disbiose intestinal, deficiência de monoaminas (dopamina, serotonina e noradrenalina), redução do ácido gama aminobutírico (GABA), aumento do cortisol, alteração do sistema glutamatérgico, aumento de citocinas e proteínas pro-inflamatórias (PCRus), disfunção mitocondrial e estresse oxidativo (ORIOLO, 2018). Todos estes fatores parecem estar associados à neuroinflamação, que é o fator mais estudado atualmente como desencadeador e promotor da depressão (JEON et al, 2018). Neste aspecto surge a indicação da utilização dos ácidos graxos ômega-3 por sua comprovada ação anti-inflamatória.

Estudo desenvolvido por Smith DJ et al, 2018, promoveu ingestão de duas doses de DHA (21 pacientes consumiram 260mg e o 8 pacientes consumiram 520mg) para  pessoas com transtorno de depressão maior por 8 semanas. Os resultados demonstraram que 54% dos pacientes tiveram uma redução maior ou igual a 50% na escala de depressão com melhora inclusive da insônia e da sonolência diurna, mesmo com a dose mais baixa. Em outro estudo também com pacientes com transtorno depressivo maior, o uso de suplementação de 4g de óleo de peixe, sendo 1,6g de EPA e 0,8g de DHA, por 6 semanas, melhorou a integridade das membranas da substância branca do cérebro, melhorando a mielinização e reduzindo a severidade da depressão. (CHHETRY BT et al, 2016)

Outra aplicabilidade do uso de ômega-3 em depressão é nos pacientes com câncer, visto que estes ácidos graxos parecem favorecer a redução das complicações do tratamento quimioterápico, em especial da depressão. Segundo FREITAS, 2019, os metabólitos produzidos a partir dos ácidos graxos ômega-3 são capazes de aumentar a produção de b-endorfinas, serotonina e dopamina, promovendo ainda analgesia, redução das neuropatias e da fadiga, sendo recomendado o seu uso nestes casos.

Outra indicação da suplementação de ômega-3 é nas gestantes, visando reduzir o risco de depressão pós-parto. Estudos atuais indicam que altas concentrações de ômega-6 e baixo nível de ômega-3 (desbalanço na razão ômega-6/ômega-3) no início da gestação é forte preditor para o surgimento de depressão pós-parto. (HOGE A et al, 2019)

A suplementação de ômega-3 pode vir associada a outros compostos visando tratar as diversas causas da depressão e promover efeito sinérgico. Em 2018, mulheres com Síndrome de Ovário Policístico receberam aproximadamente 3.500 UI de vitamina D/dia com 2.000mg/dia de ômega-3 a partir de óleo de peixe, por 12 semanas, e apresentaram melhora significativa nos scores e escalas de depressão. (JAMILIAN M, et al 2018). Estudo recente também propõe que a oferta de 1g/dia de ômega-3 a partir de óleo de peixe com 2.000 UI/dia de vitamina D (ou o necessário para manter vitamina D no sangue entre 36ng/mL a 40ng/mL) melhoram o humor e previnem o surgimento da depressão tardia em adultos de meia idade e idosos, em virtude de agirem sinergicamente combatendo o estresse oxidativo, a neuroinflamação, melhorando a saúde vascular,  e promovendo neuroproteção. (OKEREKE OI et al, 2018)

Conclui-se que a suplementação conjunta de vitamina D (2.000 UI a 4.000 UI/dia) (VELLEKKATT F, et al 2019) em associação com probióticos (HUANG R, et al 2016) e ômega-3 (1g a 2g de EPA+DHA a partir de óleo de peixe ou 500mg de DHA isoladamente) é muito bem indicada em pacientes depressivos, visto que a disbiose intestinal, deficiência de vitamina D e a inflamação são citadas na literatura como causas da depressão.

Referências Bibliográficas:

CHHETRY, B.T; HEZGHIA, A, MILLER,  J. M et al. Omega-3 polyunsaturated fatty acid supplementation and white matter changes in major depression. J Psychiatr Res. 2016 Apr;75:65-74.

FREITAS, R.D.S; CAMPOS, M.M. Protective Effects of Omega-3 Fatty Acids in Cancer-Related Complications. Nutrients. 2019 Apr 26;11(5).

HOGE, A.; TABAR, V., DONNEAU, A.F, et al. Imbalance between Omega-6 and Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids in Early Pregnancy Is Predictive of Postpartum Depression in a Belgian Cohort. Nutrients. 2019 Apr 18;11(4).

HUANG, R., WANG, K., HU. J. Effect of Probiotics on Depression: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Nutrients. 2016 Aug 6;8(8). pii: E483.

JAMILIAN, M.; SAMIMI, M.; MIRHOSSEINI, N. The influences of vitamin D and omega-3 co-supplementation on clinical, metabolic and genetic parameters in women with polycystic ovary syndrome. J Affect Disord. 2018 Oct 1;238:32-38.

JEON, S.W.; KIM, Y.K. The role of neuroinflammation and neurovascular dysfunction in major depressive disorder. J Inflamm Res. 2018 May 8;11:179-192.

OKEREKE, O.I; REYNOLDS, C.F 3RD; MISCHOULON, D et al. The VITamin D and OmegA-3 TriaL-Depression Endpoint Prevention (VITAL-DEP): Rationale and design of a large-scale ancillary study evaluating vitamin D and marine omega-3 fatty acid supplements for prevention of late-life depression. Contemp Clin Trials. 2018 May;68:133-145

ORIOLO, G.; GRANDE, I., ROCÍO MARTIN-SANTO et al. Chapter 10 – Pathways Driving Neuroprogression in Depression: The Role of Immune Activation. Inflammation and Immunity in Depression. Basic Science and Clinical Applications, 2018, Pages 173-198. https://doi.org/10.1016/B978-0-12-811073-7.00010-6

SMITH, D.J.; SARRIS, J.; DOWLING et al. Adjunctive low-dose docosahexaenoic acid (DHA) for major depression: An open-label pilot trial. Nutr Neurosci. 2018 Apr;21(3):224-228.

SULLIVAN, P.; NEALE, M.; KENDLER, K. S. (2000). Genetic Epidemiology of Major Depression: Review and Meta-Analysis. Am J Psychiatry 1552-1562.

VELLEKKATT, F., MENON, V. Efficacy of vitamin D supplementation in major depression: A meta-analysis of randomized controlled trials. J Postgrad Med. 2019 Apr-Jun;65(2):74-80.